Desperdício logístico equivale a 5% do PIB brasileiro, diz Cosan

Estadão

O presidente da Cosan, Marcos Lutz, reforçou a necessidade de diversificar os modais brasileiros para melhorar a logística da produção do agronegócio nacional. O executivo defendeu o aumento da participação das ferrovias na composição total dos transportes.

"Claramente o agronegócio será uma das principais forças para a economia brasileira nos próximos anos e um dos importantes pilares para sairmos da crise em que estamos hoje", afirmou, durante palestra no Summit Agronegócio Brasil 2015, evento do jornal O Estado de S. Paulo, com patrocínio da Faesp. Lutz estimou que o desperdício pelos gargalos logísticos no Brasil equivale a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Segundo o executivo, o custo médio do transporte de grãos no País é quatro vezes maior que o de concorrentes, como Argentina e Estados Unidos. Como exemplo, o presidente da Cosan afirma que o transporte de uma tonelada de Lucas do Rio Verde (MT) a Santos (SP) por rodovia custa R$ 310.

"Basicamente gastos em pneus, diesel e caminhões (depreciação) não pagam a conta das estradas de Mato Grosso, que ficam destruídas". Em contraste, se o produto fosse transportado por caminhões até Rondonópolis (MT), e depois enviado via ferrovia ao porto, o custo seria de R$ 270 por tonelada. "Isso inclui o investimento feito (no modal) que, uma vez pago, está pago", esclarece.

Como outros palestrantes do painel "Desafios da logística", Lutz também ponderou que a iniciativa privada precisa agir para melhorar o escoamento da produção. Nessa linha, ele cita que a Rumo ALL, empresa do grupo, pretende investir R$ 7,4 bilhões até 2019. O montante se refere à renovação da frota de cinco mil vagões e duzentas locomotivas, além da reforma de mais de três mil quilômetros de vias permanentes e construção de novos pátios.

O diretor presidente da JSL Logística, Fernando Antônio Simões, defende que a iniciativa privada e o governo atuem conjuntamente para explorar soluções que melhorem o escoamento da produção do agronegócio no País. "As indústrias que tiverem solução própria precisam avançar e empresários de menor volume têm que se juntar, criar alianças", disse. "O governo tem responsabilidade, mas não esperemos a contribuição (para agir). Vamos melhorar o que já existe para soluções imediatas, e não de longo prazo", afirmou.